quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O GOSTOSÃO

Quando o Evangelista morreu, foi aquele chorrorô.

Sua mulhar, a Carmem, não se conformava.

- Vai, Evangelista, e fala  que eu também quero ir!

Na hora de fechar o caixão, a Carmem exclamou:

- Ele já vai de paletó, todo bonitim, mas vou botar também o celular!

E argumentou:

- Talvez ele queira ligar pra mim!

Nesse instante, o celular toca.

A mulher pede ao Valdir que atenda.

Do outro lado da linha, uma voz feminina:

- Evangelista, quando é que tu vem aqui ver os teus bruguelo, hein?

- Aqui é o Valdir, o Evangelista morreu!

- Mas tu num deixa de ser brincalhão, né? Arresponde logo quando é que tu vem por aqui?

Carmem percebeu o semblante amarelo do Valdir e tomou-lhe o celular:

- Aqui é a mulher do Evangelista, quem é que quer falar com ele?

- Mulher, é? Pois aqui é a esposa dele, tu é só fachada!

O bate-boca teve início e terminou com a mulher surtando

e rachando o caixão do finado com uma foiçada.

Mas não chegou atingir o finado que manteve o ar de riso

como se estivesse a caminho do céu...

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