sábado, 1 de setembro de 2012

A CHEGADA DO RABECÃO


O bar do Mofado era conhecido por seus auês, seus fuás, enfim, “confas” em geral. Na opinião da dona Valdenora, mulher de Erivan, um dos freqüentadores, toda vez que ele se encontrava lá, ela rezava:
-Eu nunca vi um lugar pra dar tanta briga como esse bar do Mofado! Quando o Erivan tá por lá eu me pelo de medo!
 -E é só tu, neguinha? Terno anteontem eu num dormi enquanto o Nonato num chegou!
-Eu num sei não, viu querida, mas eu achava que a miséria desse bar devia era ser fechado!
- E acaba de receber o meu apoio, Neusinha! Essa desgraça só tem briga!
Ontem, quando o Mofado, abriu as portas, estava lá parado bem em frente um rabecão do IML. Preocupado com o que o povo iria dizer, procurou logo falar com um homem que estava escorado junto ao pneu traseiro:
- Ei, meu prezado, bora tirando logo esse carro do IML da porta do meu bar! Vá agourar o Belzebu!
- Compadre, eu sou motorista, um ás do guidon, sou mecânico não!
- Eu lá quero saber o que você é! Pois empurre essa porcaria da frente do meu bar!
- Mas eu num vou mover uma palha, camarada! Já disse que meu serviço é dirigir, levar e trazer defunto, não de consertar pneu!
- E cadê o borracheiro, o cara que conserta pneu?
- Eu num já falei que tô esperando? Já liguei pra lá e ficaram de mandar! Eu tô aqui desde as quatro e meia da manhã!
  O Mofado ficou agoniado:
- Vixe, nossa senhora! Já vai dar seis da manhã e se o pessoal dessa rua ver esse rabecão parado bem na porta do meu bar, vai dizer que mataram um!
- Fica tranqüilo, gente fina, o defunto que tem aí foi morto lá em outra quebrada, eu posso ser testemunha!
- Mas o senhor num sabe como é esse povo daqui! Tudo é um bando de carniceiro!
- Agora o jeito é rezar pra que o sujeito chegue logo e troque esse pneu!
  E nesse momento, as pessoas do bairro iam saindo de suas casas para mais um dia de trabalho. E quando viram o rabecão do IML na porta do bar do Mofado, deram o pinote!
- Eita, mataram um essa noite lá no bar do Mofado!
- Iracema, dá uma olhada na rede e vê se o Martins taí!
  E o Surrão, um biriteiro mais esperto, ligou para uma emissora de TV:
- Mermão, acabaram de matar um aqui no bar do Mofado! Meteram bala no indivíduo!
 O bar do Mofado ficou entupido de curiosos.  Ele insistia em dizer que  não havia acontecido nada! O motorista do IML se negou a falar dizendo que era funcionário público. O Mofado se invocou:
- E o que é que tem funcionário público que não pode dizer se teve crime aqui!
- Já imaginou o pessoal me vendo aqu dentro desse matadouro?
O dono do bar se agarrou com o motorista e os dois foram levados ao distrito. policial.
 No rabecão do IML...

Nenhum comentário:

Postar um comentário