sexta-feira, 22 de junho de 2012

A FALSA RICA

Quando foi morar na Favela do Pau Fininho, Mazé cantava a maior marra entre os vizinhos:
-Vai desculpando aí, neguinha, mas o meu professor de piano tá vindo ali!
A mulher fazia de tudo  para chamar a atenção das amigas:
-Dei um vestido novim pra minha afilhada!
-Ô mulher! Tu devia ter dado era pra mim, tô quase nua!
-Agora eu já sei, fique tranquila!
O vizinho Brucutu ficava só de olhar. E pensava alto:
-Essa mulher é estribadona! Vou manjar mais essa figura!
Fez amizade com o Brucutu e passou a arrotar grandeza:
-O finado Gegê deixou uma pensão boa!
E ia em frente, contando mentiras:
-Ainda tenho uma irmã no Rio que é empresária do Roberto Carlos!
-E ela manda dinheiro pra senhora?
-Mandava em euro, agora passou pra dólar!
Brucutu ficava pensando na dele:
-É com essa comadre que eu vou me fazer!
Ontem, ela alardeou que ia ao banco buscar dinheiro. Brucutu foi na frente e ficou à espera.
Mas quebrou a cara. E também as costellas.
A mulher gritou e populares foram em seu socorro.
No hospital, ouvido por policiais, o malaca jura que foi provocado pela vítima:
-Seu dotô delegado, eu pensava que essa desgraçada fosse rica! O senhor sabe, né...

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