terça-feira, 28 de agosto de 2012

OS BANGUELOS


No dia em que ia se encontrar com a Sueli,

o Bené foi dar uma mordida numa tapioca

e partiu a dentadura ao meio.

Mas logo o Anastácio foi em socorro do amigo:

-Fica na tua, conheço um cara que faz dente, vambora lá!

Atravessaram a passarela do cemitério e chegaram

à casa do protético Gabriel, à beira da linha férrea,

que também era banguelo.

E justificava:

-Em casa de ferreiro, espeto de pau!

Logo em seguida, pediu um tempo:

-Peraí que eu vou preparar a goma pra tirar o molde!

Na hora em que estava tirando o molde, o trem passou.

O tamborete tremeu.

E na hora agá da prova, a dentadura estava torta.

 Com dificuldade, Bené falava:

-Essa parte do lado direito tá mais alta do que a esquerda!

-Ah, mas o problema deve ser da sua boca torta!

-Mas eu num tenho a boca torta!

-Então vá reclamar da RFFSA, do sacolejo do trem!

Bené recusou a prótese.

O protético não aceitou.

-Quero meu dinheiro!

Discutiram.

E quebraram pau até o Ronda chegar.

Foram parar no distrito, onde o comissário também banguelo,

liberou os dois...




 

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