Seu Vieira, 80 anos completim como dizia,
falava para a curriola de amigos aposentados, lá no bar do Freitas:
-
Olha, espia, pessoal! Uma coisa que eu num tolero é ladrão! Ô bicho desgraçado
é essa peste!
-
Tem razão, Vieirinha! E essa cidade aqui tá demais!
-
Isso lá e nada, Juvenal! O meu filho mora num edifício bem pertinho duma
delegacia e os malacas roubam adoidado!
Nesse instante, a Marluce, única filha do seu
Vieira, apareceu e avisou que o almoço
estava pronto.E os comentários elogiosos à
Marluce surgiram de imediato:
-
Mas essa sua filha é uma moça muito bonita, Vieira!
-
É, eu também concordo! O seu Vieira caprichou
e marcou um gol de placa!
-Eu
vou aproveitar e contar uma novidade sobre a minha Marluce!
Os freqüentadores do bar gritaram em coro:
-
Conta, conta, conta!
Seu Vieira falou categórico:
-
Senhoras e senhores, amigos e amigas, biririteiros e não biriteiros, é com o
coração estrangulado, dilacerado, apedrejado, pisoteado que vos digo: minha
Marluce vai casar!
- Mas é isso, Vieira, os filhos da gente nasceram
para o mundo!
-
E o senhor falou que o rapaz era trabalhador, estava cursando Medicina!
-
Obrigado, amigos, por tantas palavras bonitas! Mas agora eu tenho que ir!
Rumou em direção à casa. Ao chegar próximo,
viu um sujeito meio louro, com um som nos ombros tentando abrir o portão. Falou
alto:
-
Peraí que você passa já, esse portão tá ruim mesmo de abri!
O cara passou com tudo. Vieira entrou e lá
dentro falou para a filha:
-
Marluce, minha filha, esse teu som já pifou de novo?
-
Não, por que o senhor tá perguntando isso?
-
Porque abri o portão pro teu noivo passar com o som! Pensei que ele ia levar
pro conserto!
-
Mas pai, meu noivo tá viajando, só vem na outra semana! Foi resolver um serviço
da empresa em que trabalha!
E fulminou:
-
O senhor abriu o portão para um ladrão!
O
choque foi demais para o seu Vieira que se estatelou no chão!
Está internado em um hospital a base de
calmantes.
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