Caminho pelo Centro à procura de uma loja especializada em eletrônica. Aí percebo que caí numa emboscada. Com suas ruas estreitas, o povo andando devagar, o jeito é descer a calçada. Então, a primeira advertência:
- Sai da frente, seu...
Um motoqueiro maluco quase me pega em cheio. Mas a peça para
a minha TV é importante. E vou em frente. Mas logo sou parado por uma moça
simpática que puxa conversa:
- O senhor não tem vontade de botar o seu
próprio negócio?
E sem responder, ela emenda:
- Eu posso lhe oferecer um empréstimo pra
isso!
Peço desculpas e caminho. Mas por pouco
tempo. Logo sou puxado pelo braço por um desconhecido:
- Dentista a preço popular e fica logo aqui
atrás...
Sorrio. Não para mostrar que não sou
banguelo, mas por puro medo. Afinal, na rua paralela acabara de ter acontecido
um assalto.
Penso que é melhor voltar pra casa. Mas
novamente sou abordado por uma empregada da irmã Liduina que diz que estou “carregado”
e tenho que fazer um “ descarrego”.
Prometo que vou, e quase ia mesmo para saber se
ainda restava alguma possibilidade de chegar a loja eletrônica e comprar a tal
peça da minha TV.
De
repente, percebo uma multidão correndo em minha direção aos gritos:
- Pega o ladrão, pega o ladrão!
Sou
obrigado a voltar pra casa. Mas no meio do caminho não tinha uma pedra. Tinha
era um choque entre um ônibus e uma ambulância.
Caminhei rumo à minha casa e passei pelo
Frotão. E guardo na memória a imagem que vi daquele hospital:
lembra um acampamento de guerra.
Ali, o povo parece mais gado humano.
Vale repetir.
E com eco:
Gado
humano, gado humano, gado humano...
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