quinta-feira, 26 de julho de 2012

PÃO SEM MANTEIGA

Zequinha e Boca de Sapo eram dois pirangueiros que viviam de pequenos furtos. Até que resolveram ser mais ousados:
-Bicho, nós tamus muito paradão, ó! A gente precisa circular mais, entendeu?
-Tu tem razão, meu brode! Tem um ditado das antigas que diz que cobra que num anda num engole sapo!
-Isso também é verdade! Nosso revólver é um dedo debaixo da camisa!
 E juntos passaram a caminhar por uma rua meia deserta.:Até que passaram por uma padaria. De imediato, pensaram em assalto:
-Cumequié, Zequinha, bora encarar essa parada?
 O malandro pensou pouco e decidiu topar:
-É o que eu te falei, nossa amizade! Ninguém pode ficar nessa pindaíba a vida toda! Tem que botar logo pra voar as bandas!
-Tudo certim, mas primeiro bora filmar bem o ambiente! Já olhei pra tosos os lados e num vi segurança nenhum!
-Então bora correr dentro!
 E invadiram a padaria no momento exato em que novos pães quentinhos e   despertando um cheiro gostoso, eram colocados no balcão. Os vagabundos se entreolharam e partiram para o roubo. Zequinha, antes de fugir, gritou para o comparsa:
-Olha o pão quentim, Zequinha, esquece não!
Em seguida pegaram a reta dando um pique e parando num matagal. Era a hora da partilha. Mas antes resolveram saborear os pães. Zequinha falou, depois de uma mordida no pão quentinho:
-Passa a manteiga, Boca Mole!
Que manteiga? Eu num trouxe manteiga não!
-Mas tu é mesmo um fuleiragem! Vambora voltar e pegar a manteiga!
Voltaram. E se ferraram. O dono da padaria já tinha chamado os policiais que prenderam os dois. Estão no distrito, onde o Zequinha não para de falar:
-Dotô delegado, vê aí ao menos um pãozim com manteiga...

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