Feitosa não parava de chorar no túmulo do seu primo, o Dedé Beição:
-Ah, Beição, pra que tu foi morrer logo agora?
E lembrou entre soluços:
-Cadê a milhar que ia me dar se morresse primeiro?
Nesse instante, um homem carregando uma pá pediu licença:
-O senhor chora do lado de lá! Eu vou abrir essa cova!
-Cumequié? O senhor ta dizendo que vai desenterrar o meu primo?
-Perfeitamente, eu fui mandado, num tem culpa!
-Mas pra que vai tirar ele daí?
-Taqui o papel, leia aí que o distinto vai saber!
-Eu num trouxe os zoclim! Leia o senhor mesmo!
-Eu lá sei ler, compadre! Mas to sabendo que esse defunto é um velhaco, um enrolão!
-Peraí, amizade, num fale assim do meu primo! Ele é sangue do meu sangue!
-Mas é verdade verdadeira! Tá atrasado 8 meses!
-E como é que ele vai sair daí pra pagar alguma coisa? Ele ta morto!
-Eu só sei que defunto fuleiragem num tem perdão! Vai ter que sair na marra!
-Negativo, espere que ele venha me mostrar uma milhar que eu pago!
Os dois homens não entraram em acordo. E saíram na porrada. Estão presos. Olhando a rua por um buraco: o da fechadura.
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