domingo, 27 de maio de 2012

VALDERI E A LOURAÇA


Valderi não se conformava com o toró que caía cedo da manhã. Resmungava alto, no pé do ouvida da Do Carmo, sua mulher:
-Mas estamos no fim de maio e ainda chove? Ô chuvinha chata, Deus que me perdoe!
-Tem paciência, macho véi! O calor tava demais!
-Pois eu prefiro o calor de que chegar no trabalho todo molhado!
-Deixa de fazer drama, a chuva passa já!
Alguns minutos depois, o homem voltou a falar:
-Cadê que passou? Eu vou acabar perdendo o emprego!
A mulher lhe entregou uma sombrinha com enfeite de borboletas. Valderi pegou gás e falou invocado:
-Escuta, Do Carmo, tá me estranhando, é? Eu lá vou sair com isso!
-Mas tu é mesmo cheio de frescura! Pega a sombrinha logo, bora!
Percebendo que o céu ficava a cada instante mais carregado, resolveu aceitar a  sombrinha:
-Tudo bem, me dá essa miséria! Mas primeiro eu vou tirar as borboletas!
-Num seja nem besta de rasgar minha sombrinha, fariseu!
Saiu em direção ao trabalho e se deu bem. No meio do caminho apareceu uma louraça que insistiu em ir com ele debaixo da sombrinha até o ponto do ônibus.   A chuva já passou e até agora nem sinal do Valderi...

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